Histórico

História do Madrigal Renascentista

     Em 1956, um grupo de jovens, muitos deles ainda estudantes, se reuniu para formar um conjunto vocal. O principal foco não era o canto lírico ou a ópera, mas a música concebida originariamente para coro a capella. A música, quase sempre romântica acompanhada pela orquestra, dava lugar ao belo cancioneiro composto exclusivamente para vozes. Nascia, assim, um pioneiro trabalho dedicado à pesquisa e à difusão de um repertório até então pouco conhecido na capital mineira.

     Liderados pelo jovem regente Isaac Karabtchevsky, que depois se tornaria referência no Brasil e no mundo, os cantores interpretavam canções compostas no período da Renascença. Obras dos séculos XV, XVI e XVII ganhavam espaço. Compositores como Claude Janécquin, Orlando di Lassus, Giovanni Perluigi da Palestrina e Cláudio Monteverdi, antes deixados de lado ou até mesmo ignorados, começavam a aparecer nos palcos.

O Madrigal Renascentista foi o primeiro no Brasil a estudar e executar a música produzida antes do século XVIII, interpretando significativas obras do Renascimento. Até então, os corais brasileiros praticamente só se dedicavam ao repertório romântico, com ênfase na ópera.
Na década de 1970, o grupo foi novamente vanguarda ao divulgar de forma contundente a música brasileira composta na segunda da metade do século XX. Promoveram-se dois concursos de arranjos e composições para coro a capella, do qual participaram os maiores nomes da composição de vanguarda do Brasil, e essas canções foram levadas para duas turnês pela Europa na década de 70.

Um coro de apaixonados

    O Madrigal Renascentista é mais uma prova de como a paixão de um grupo de pessoas consegue manter viva a memória da música sacra.
Atualmente o grupo não conta apenas com cantores profissionais, mas também com donas de casa, professores, jornalistas e operários. O Madrigal ensaia semanalmente em uma sala do 9º andar do Edifício Maleta, sem qualquer remuneração, mas sim pelo prazer de cantar.

     Foram muitas as personalidades que mais tarde brilhariam no cenário mineiro, brasileiro e internacional. A começar pelo Maestro Isaac Karabtchevsky, que hoje é mundialmente reconhecido, e foi regente do Madrigal Renascentista entre 1956 e 1970. A cantora Maria Lúcia Godoy integrou o grupo nas décadas de 50 e 60, chegou a fazer solo com o inglês Leopold Stokowsky. Já Afrânio Lacerda tornou-se referência nacional ao abrir as portas do Madrigal à música Contemporânea Brasileira, assim como Carlos Alberto Pinto Fonseca, consagrado regente que dirigiu o Coral Ars Nova por décadas.

     Vários cantores que passaram pelo Madrigal Renascentista ingressaram no meio artístico como profissionais da música. É o caso de Amin Abdo Feres, Edival Trindade, Norma Graça Silvestre, as irmãs Maria Amélia e Maria Amália Martins, Edla Lobão Lacerda, Expedito Vianna, Roberto de Castro, Rogério Moreira Campos e Afonso Gonçalves. Outros também se dedicaram ao exercício da profissão, como Míriam Borges, os irmãos Ednéia, Edson e Edna de Oliveira e Sérgio Lúcio Alves. Integraram também o corpo coral os pianistas Cesar Buscacio, Sandra Almeida, Cristina Guimarães e Regina Stela Campos Amaral, além do escritor Afonso Romano de Santana e da atriz Andrea Garavello.