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AFRÂNIO LACERDA

Quando no dia 14 de dezembro de 1971 assumi a Direção Artística do Madrigal Renascentista, encontrei uma filosofia de trabalho que em muito se assemelhava àquela que eu vinha realizando no Madrigal da Universidade Federal da Bahia até então. Ou seja: a árdua, porém, prazerosa tarefa de fazer música de boa qualidade, com muito trabalho e perseverança.Na realidade, apenas procurei cuidar com muito zelo e carinho das obras implantadas por meus antecessores, fazendo com que se mantivessem no mesmo nível e, se possível, melhorassem. Na Bahia foram H. Koellreutter e E. Widmer; em Belo Horizonte, Isaac Kerabtchevsky. 

Desde então, foram muitos anos de convivência com um grupo de pessoas que cantavam bem, sabiam fazer música e gostavam daquilo que faziam. A fraternal convivência destas pessoas maravilhosas, entre si e comigo, certamente foi a causa mais importante do sucesso, até mesmo internacional, alcançado pelo Madrigal neste período. À renovação do repertório e ao salto de qualidade então promovidos por Isaac no movimento coral brasileiro através do Madrigal Renascentista, somou-se a mudança do rumo estético de minha época em direção à música contemporânea brasileira. 

Os concursos de composição, nascidos de um “bate-papo” numa mesa de café entre Vicente, Josué, Edla, Gersão, Celme e eu, mudaram completamente o panorama do repertório brasileiro na música coral. O enxame de obras surgidas naqueles concursos foi apenas o ponto de partida para o despertar de compositores e entidades culturais. Daí para frente, o repertório de canto coral brasileiro nunca mais foi o mesmo. Compositores importantes como Ernst Widmer, Mário Ficarelli, Ernst Mahle, Gilberto Mendes, Ricardo Tacuchian, Lindembergue Cardoso, Ronaldo Miranda e outros, enriquecem o repertório da nossa música coral.

A partir de então, intensificaram-se os concertos pelo Brasil afora. As principais salas de concertos das grandes cidades brasileiras receberam o Madrigal, assim como cidades de todos os portes em toda a Europa nas duas memoráveis turnês realizadas em 1977 e 1979.

Gravações, programas de rádio e TV no Brasil e no exterior também marcaram esta época de atividades em que cantores e direção não mediram esforços no intuito de realizar aquilo a que se propuseram: manter e divulgar o grande conjunto musical que sempre foi o Madrigal Renascentista para os que viessem posteriormente.

ISAAC KARABTCHEVSKY

     A garagem é a metáfora do processo do inconsciente desvendado por Freud e sua escola psicanalítica. Ela representa não só aquilo que guardamos, à espera de utilização, mas também esconde os processos da mente, aqueles que adormecem e os que aguardam o momento certo de se revelarem. Não por um acaso, o Madrigal Renascentista nasceu em uma garagem, na casa de Carlos Alberto Pinto Fonseca, numa reunião despretensiosa de jovens cantores provenientes dos mais diversos níveis da cidade de Belo Horizonte, e cujo único objetivo era o de fazer música em conjunto.

     Como explicar o mistério, o elemento resultante daquele pulsar de vozes, a escolha de um repertório até então estranho aos ouvidos brasileiros, aquela música cantada nos séculos do Renascimento europeu? Pois bem, aconteceu! O Madrigal iniciaria ali uma trajetória de concertos no país e, posteriormente, por todas as partes do mundo, tornando possível, através da ampliação de seu repertório, agora com temas da produção brasileira, Villa-Lobos, Mignone e tantos outros, o contato com um público diferenciado.

     Do Renascimento à música contemporânea houve um salto estilístico revelador, pois enquanto entoava obras de Ravel ou Webern, o conjunto revelava consciência e maturidade, projetava em suas interpretações a musicalidade inerente ao brasileiro, inseria-se dentro de um contexto universal. Desejo ardentemente que essa obra possa ser preservada, contando sempre com os mesmos ingredientes que lhe deram forma: abnegação, idealismo e amor à música.

MARCO ANTÔNIO MAIA DRUMOND

     ​Nascido em Belo Horizonte, Marco Antônio inicia os seus estudos de música aos cinco anos de idade, no Curso de Iniciação Musical, orientado pela Professora Célia Flores Nava. Aos sete anos, começa o seu curso de violino na classe do Professor Gabor Buza.

     No ano de 1974 é admitido no Curso de Graduação em Regência da Escola de Música da UFMG, onde estuda sob a orientação do Maestro Arthur Bosmans. Concluída esta etapa, obtém bolsa de estudos do governo polonês e segue para Varsóvia, onde realiza o curso de pós-graduação em regência sinfônica e operística, na Academia de Música “Frederyk Chopin”, integrando a classe do Professor Henryk Czyz.

     De volta ao Brasil, realiza um curso de especialização em Educação Musical, na UFMG, estudando sob a orientação do Professor H. J. Koellreutter. Em 1986, a convite do então Diretor Regional do SESIMINAS, Dr. Nansen Araújo, funda a Orquestra de Câmara da instituição, tornando-se também o seu primeiro regente titular. Neste mesmo ano, assumiu também a direção artística do Madrigal Renascentista, tendo realizado com este grupo importantes projetos, entre eles, a gravação do CD com a “Missa de São Sebastião” de H. Villa-Lobos e a turnê à Europa em 2000.

     No ano de 1989, auxiliado pelos músicos integrantes da Orquestra de Câmara do SESIMINAS, fundou a Escola de Formação de Instrumentistas de Cordas do SESIMINAS (EFIC) e, a partir de 1995, tornou-se também o regente de sua Orquestra Jovem.

      Em 1996, foi convidado a assumir também a direção artística do Coral PUC Minas. Em 2000, fundou também o Coral do DER/MG. No ano seguinte, passou a lecionar a disciplina de Artes na Escola Técnica de Formação Gerencial do SEBRAE/MG. Em todas essas atividades o regente permanece até os dias de hoje.

     Em 2005 realizou o 1º Prêmio SESIMINAS de Composições para Orquestra de Câmara, que contou com 113 participantes de 14 estados da federação e mais três países.

      No ano de 2007, recebeu convite do Instituto Cultural Inhotim para fundar um Coral Infantil composto por crianças da Rede Pública de Ensino de Brumadinho. Formou então o Coral “Inhotim Encanto”.

      Em 2009 passou a responder também pela direção artística do Coral SESIMINAS desenvolvendo intensa atividade, tanto junto com a orquestra como em recitais a capella.